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Lixo acumula em hospital do DF e greve na limpeza suspende 11 cirurgias

Funcionários terceirizados decidiram parar na quinta por causa de atraso no pagamento de março. Pacientes que foram à unidade nesta sexta não conseguiram atendimento
Por Gustavo Aguiar, G1 DF Foto: Reprodução/Divulgação - 10/03/2017 - 22:36:28

Onze cirurgias marcadas para esta sexta-feira (10) no Hospital Regional da Asa Norte (Hran), em Brasília, foram suspensas. A medida foi tomada por causa do segundo dia de greve de terceirizados da limpeza, que estão com os salários de março atrasados.

Dos 55 faxineiros que atuam na unidade, apenas 12 foram trabalhar nesta sexta. A diretoria do hospital disse que, com o efetivo, precisou priorizar os trabalhos de urgência. Por isso, as cirurgias agendadas – que não têm urgência, segundo o protocolo médico – foram adiadas.

Além dos cancelamentos, pacientes que procuram atendimento no pronto-socorro da unidade tiveram de voltar para casa sem consulta da especialidade de clínica médica, que faz atendimentos gerais. O lixo também ficou acumulado nos corredores e saguões do hospital.Espera interminável “Qual a previsão para atendimento?”, perguntou o administrador de empresas Patrick Soares, de 49 anos, que foi ao hospital após ser atropelado. “Não tem. O problema não é de hoje. Estamos sem médico há dois anos”, respondeu um servidor.

Patrick esperou 40 minutos no pronto socorro, mas sequer passou pela triagem da unidade, que classifica a gravidade de cada paciente. Sentido fortes dores no braço, decidiu procurar um hospital particular.

“Não deu para esperar. Não é porque eu não estou sangrando, na maca, que eu não precise de atendimento. Mas essa demora, sem nenhuma resposta, é a pior situação que alguém sentindo dor pode viver”, reclamou.
O jardineiro João Paulo Martins, 24 anos, também não conseguiu atendimento prioritário, mesmo relatando sintomas de uma doença sexualmente transmissível. “O funcionário disse que dificilmente vou ser examinado hoje”.
Sem plano de saúde, a alternativa de João Paulo e de outras dezenas de pacientes foi esperar no saguão do pronto-socorro. Com a greve dos faxineiros, as lixeiras do lugar estavam transbordando. Alagado e sem limpeza, o banheiro masculino do local foi fechado por causa do mau cheiro.
Conforme mostrou o G1 na quinta, quando a greve começou, quatro das cinco cirurgias que estavam marcadas foram canceladas. Segundo o diretor do Hran José Adorno, a equipe de limpeza é especializada, e o trabalho não pode ser feito por leigos.

Greve continua
De acordo com o Sindserviços, entidade que representa os faxineiros dos hospitais, a paralisação deve continuar até que o pagamento caia na conta dos funcionários. Uma audiência com o Ministério Público está marcada para segunda.
A Dinâmica, empresa responsável pela limpeza do hospital, alega que espera receber R$ 20,5 milhões do contrato com o governo do DF. Segundo a assessoria da companhia, empréstimos foram feitos nos últimos para honrar pagamentos.

Em nota, a Secretaria de Saúde informou que repassou nesta sexta R$ 8,7 milhões às três empresas que fazem a limpeza dos hospitais públicos do DF – Dinâmica, Apecê e Ipanema. Mas não explicou o motivo do atraso.

Segundo a nota, houve redução de limpeza em outros hospitais, como os regionais de Planaltina, Sobradinho, Gama, Ceilândia e Hemocentro. “Mas não há registro de suspensão de atendimento à população”, afirma.


“As equipes de limpeza estão trabalhando em toda rede com efetivo mínimo de 30%. Nos hospitais, equipes de enfermagem, juntamente com servidores da limpeza, estão auxiliando na higienização”, diz o comunicado.
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David Rodrigues

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